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Desvio

Empresário de Timbó é detido na Operação Sutura

13 Junho 2018 11:24:00

Investigação apura desvio de dinheiro público destinado à Saúde nas cidades de Penha e Itapema

Janaina Possamai
Foto: Polícia Civil

TIMBÓ - A Operação Sutura, que apura a suspeita de desvio de dinheiro público que deveria ir para a saúde teve atuação na cidade de Timbó. O diretor do Vidas Instituto de Assistência à Saúde, Richard da Silva Choseki, foi um dos detidos na operação. No entanto, a linha de investigação não tem relação com o Vidas ou com o hospital da cidade, mas sim com o Instituto Adhoniran, do qual Choseki fazia parte até 2011.

Outras 14 pessoas também foram presas temporariamente. A investigação é comandada pela Divisão de Combate a Crimes Contra o Patrimônio Público (DCCPP/DEIC) e pelo Laboratório de Lavagem de Dinheiro (LAB-LD/Deic), com apoio das DRPs de Balneário Camboriú, Blumenau e Joinville, Polícia Civil do Mato Grosso, Ministério Público (MPSC) e do Ministério Público de Contas (MPC).

O Esquema

O suposto esquema de corrupção envolvendo o Instituto Adhoniran e as prefeituras de Penha e Itapema entre os anos de 2011 e 2016. De acordo com informações da Deic, o esquema funcionava da seguinte forma: as prefeituras possuíam um convênio com a organização social, porém muitos dos serviços que constavam na prestação de contas não eram efetivamente prestados. A organização social, cujo responsável também é dono do Hospital Nossa Senhora da Penha, contratava supostos serviços com empresas que emitiam notas, porém o dinheiro, no fim das contas, retornava aos responsáveis pela OS.

Ainda de acordo com informações da Polícia Civil, ao todo, as prefeituras repassaram quase R$ 23 milhões para o Instituto. Desse total, os investigadores acreditam que até 40% possa ter sido desviado, um valor que ultrapassa os R$ 8 milhões. A investigação teve início há dois anos, por uma orientação do MP-SC e do Ministério Público de Contas.

Os envolvidos foram presos por suspeita de corrupção passiva, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Os mandados judiciais foram cumpridos na terça-feira, dia 12, nas cidades de Penha, Balneário Piçarras, Joinville, Garuva, Timbó, Balneário Camboriú, Itapema e Sinop (MT), locais onde as pessoas envolvidas estavam morando ou tinham alguma ligação.

Investigação

"A investigação foi bem complexa e envolveu vários métodos, como a quebra de sigilo bancário e fiscal. Pode-se dizer que 90% das empresas prestadoras de serviço eram dos próprios dirigentes da organização social. Então o dinheiro ficava com eles mesmos", explica Fraile.

Segundo o delegado, havia três núcleos envolvidos nas fraudes. O primeiro era o de agentes públicos, que eram coniventes com o esquema e chegavam até mesmo a receber valores dos responsáveis pela organização social. Havia ainda o núcleo familiar, dos dirigentes da organização social, e o núcleo empresarial, que emitia notas fraudulentas de serviços que sequer chegavam a ser realizados.

Ainda durante essa fase da Operação Sutura, foram sequestrados bens dos investigados, cujos valores são calculados em R$ 1,5 milhão. Segundo o delegado Fraile, o prazo para a conclusão do inquérito é de 30 dias. Nesse período, serão tomados depoimentos dos investigados. As prisões temporárias têm um prazo de cinco dias, podendo ser prorrogados por mais cinco.

Instituto Vidas se manifesta

Confira na íntegra a nota de esclarecimento enviada à imprensa pelo Vidas:

"O Vidas Instituto de Assistência à Saúde e o Hospital e Maternidade Oase de Timbó esclarecem que, não existe nenhum envolvimento dessas entidades na operação realizada pela Polícia Civil de SC em conjunto com o Ministério Público, denominada Operação Sutura.

A empresa investigada trata-se do INSTITUTO ADHONIRAN na qual Richard Choseki (Diretor do Vidas) se afastou em 2011, não tendo portanto, desde tal data nenhum vínculo.

Ressalta ainda, que os fatos investigados no INSTITUTO ADHONIRAN foram cometidos após a saída de Richard Choseki.

O Vidas Instituto de Assistência à Saúde juntamente com o Hospital Oase, apóiam todas as ações que visam para o bem comum e da Sociedade. As entidades trabalham com transparência em seus contratos e estão pautadas em princípios de valorização de boa aplicação de recursos públicos de forma idônea em todas as suas ações.

A Direção aguarda a apuração dos fatos e tudo será esclarecido".



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