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'Aventura gelada'

04 Abril 2019 19:20:00

Moeses Fiamoncini revela sua experiência na oitava montanha mais alta do mundo

CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV
Foto: Arquivo Pessoal

TIMBÓ - Quem nunca sonhou em aventurar-se em algo novo e diferente? Pode ser em apenas morar sozinho, longe da casa dos pais, ou algo mais emocionante, como uma viagem para outro país, ou até mesmo em uma viagem com vários desafios. Assim começaram os sonhos de Moeses Fiamoncini, um jovem que já realizou muitas aventuras em sua vida. Em entrevista à redação do JMV, Fiamoncini, de 39 anos, que é alpinista afirma que: "Paixão e auto-superação definem o estilo de vida que levo atualmente". 

Segundo ele, quando tinha 10 anos, organizou uma "expedição" com um amigo para subir uma pequena montanha próxima da sua casa em Rio Negro, no interior do Paraná (Morro dos Padres). "Escondido de todos, é claro, foi minha primeira grande aventura. Quando cheguei ao topo da montanha, ficava imaginando o que estaria além do horizonte. Naquele momento eu sabia que era isso que eu gostaria de fazer: ser um explorador".

Fiamoncini que tem parentes em Timbó e região morou durante seis anos em Portugal, onde era administrador de uma empresa, sendo que em junho de 2008 reuniu tudo o que precisava em uma mochila e se tornou um desbravador de sonhos. "Desde então percorri mais de 80 países, residi em quatro nações em diferentes continentes: Reino Unido, Canadá, França e Nepal, escalei inúmeras montanhas, conquistei muitos amigos e muitas experiências. E a que desejo compartilhar com vocês é a expedição ao Manaslu, oitava montanha mais alta do mundo localizada na cordilheira do Himalaia, realizada em setembro de 2018".

O desejo de escalar a montanha Manaslu nasceu depois de guiar sua irmã, Giselle Fiamoncini, ao Campo Base do Everest em abril de 2018. "Fiz uma promessa de somente retornar ao Nepal para realizar o sonho de escalar uma grande montanha dos Himalaias. Eu já havia feito escaladas de montanhas de 4.000, 5.000 e 6.000 metros, em rochas e gelo, mas era minha primeira vez tentando escalar uma montanha de 8.000 metros, sem oxigênio".

Preparação

Escalar uma montanha exige um preparo significativo, psicológico e físico. "Este desafio começou a ser planejado assim que eu retornei. Na época soube que a alpinista uruguaia, Vanessa Estol, também estava com projetos para escalar a montanha e trocamos muitas ideias sobre o projeto".

No dia 29 de agosto, Fiamoncini chegou em Catmandu, capital do Nepal. "Lembro-me que estávamos apreensivos porque havia registro de dois deslizamentos na região por onde teríamos que passar. Então, decidimos partir de helicóptero fretado até Samagaun, uma vila muito pequena e tranquila, a cinco horas do acampamento base do Manaslu. Lá encontrei meu guia Temba Sherpa, especialista em alta montanha, líder de expedição muito experiente e em resgates de altitude".

No dia 10 de setembro, o grupo deixou o vilarejo cruzando um portão e fazendo o juramento de só retornar depois de alcançar o cume do Manaslu, 8.163 metros. "Estávamos determinados e nos sentíamos fortes. Esse foi o início de uma conquista inédita para o montanhismo brasileiro, já que até aquele momento ninguém no país ainda havia relatado e comprovado claramente com registro fotográfico a ascensão ao cume desta montanha".

O desafio 

Fiamoncini relata que ao chegar no acampamento descobriu que receberia seus equipamentos e suprimentos somente após oito dias, devido a problemas para a realização de voos em áreas restritas e às condições climáticas. No dia 16 de setembro, finalmente ele recebeu seu material e juntamente com o grupo deixou o acampamento base. Naquele dia, ao chegar ao ponto de apoio, souberam que um alpinista brasileiro e um sherpa foram pegos por uma avalanche. Felizmente sobreviveram e sofreram apenas pequenos ferimentos.

Para atingir o desafio que era o cume da montanha, Fiamoncini e seu guia decidiram criar um roteiro, onde dia 26 de setembro atingia-se o cume e realizava-se a descida ao campo base. Em seus relatos Fiamoncini explica que depois de saírem de um dos pontos considerados elevados, enfrentaram os primeiros desafios que colocaram em prova sua autossuperação. "Em meio a muita neve fresca, pouca visibilidade e ventania caminhamos por mais de três horas até encontrarmos a primeira corda fixa, neste momento estávamos começando a adentrar ainda mais no Glaciar do Manaslu. Depois de muito esforço, às 4h30min alcançamos 7.450 metros de altitude. Mas o forte vento nos afastou um pouco do caminho".

Nesta etapa, Fiamonci relata que começou a sentir muito frio nos pés. "Estava sentindo meus dedos dos pés praticamente congelados e eu sentia grandes bolhas. Em certo momento devido ao frio não senti mais os dedos dos pés. Apesar da dor insuportável, não havia outra opção, era preciso continuar caminhando. Então, tomei a decisão de usar oxigênio. Assim, logo depois de 20 minutos meu corpo foi se recompondo e meus pés se aqueceram. Com neve sempre acima dos joelhos, os últimos 300 metros exigiram um grande desafio psicológico, foi em média duas horas de esforço para subir cerca de 100 metros".

O aventureiro destaca que quando percebeu que não faltava muito para o cume, apenas neste momento tomou consciência que estava acima de 8.000 metros. "Quando chegamos no cume, às 16h, no dia 25 de setembro, fui invadido por um sentimento imenso de gratidão e realização. Estávamos sozinhos, um time de seis pessoas extasiadas contemplando todo aquele horizonte, uma paisagem incrível e selvagem que misturava medo, deslumbramento e respeito. Não havia vento, o céu estava azul e todo o cansaço havia ficado para trás. Eu estava realizando o meu maior sonho e não há palavras para descrever aquele momento. Abrimos o caminho, com muita determinação e olhos fixos no cume, percorremos o trajeto em 18 horas. Permanecemos praticamente uma hora naquela imensidão".

Fiamoncini relata que apesar da satisfação que lhes invadia, sabiam que ainda havia a descida e às 17 horas. "O sol desceu rapidamente, tivemos que andar no escuro. Eu estava fazendo um grande esforço para não parar de caminhar, meu corpo estava muito cansado e eu sentia uma enorme vontade de dormir, mas sabia que precisava continuar. Lembro-me da frase que alguém proferiu lá em cima e que me marcou profundamente: subir foi uma opção, mas descer é uma necessidade. No dia seguinte conseguimos chegar ao campo base e ter o merecido descanso. Uma bela imagem da imensidão do horizonte permanece viva na minha memória e desta incrível experiência ficaram muitos aprendizados, que resumo em três palavras: auto-superação, foco e amor".

O próximo desafio do jovem alpinista acontecerá em maio deste ano, quando ele almeja chegar ao cume da montanha Everest a 8848 metros. "Para realizar esse trajeto é preciso 20 mil dólares, e estou buscando patrocínio. Quem tiver interesse e ajudar pode entrar em contato através do e-mail: moefiamoncini@gmail.com".


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