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Flexibilização gera aumento de casos

Clarice Graupe Daronco

"Com quase um ano de pandemia e a vantagem do Brasil e o estado de Santa Catarina serem atingidos posteriormente de forma significativa nos mostram que o que temos de recurso visando a mitigação dos casos é o distanciamento social principalmente, além do uso de máscaras em locais públicos e a higienização das mãos resultou em uma redução dos casos no mês de setembro. Mas com a redução dos casos em setembro no estado houve a flexibilização nas restrições de circulação das pessoas, mesmo sabendo que ainda muitos estão suscetíveis ao vírus, que teve como resultado o aumento no número de casos no final de outubro e primeiras semanas de novembro".



Com essas palavras o médico infectologista de Timbó, Indaial e Blumenau, doutor José Amaral Elias avalia o momento que estamos vivendo, em especial com relação ao aumento no número de casos de pessoas acometidas pela Covid-19.

Segundo o profissional esta situação já vinha acontecendo na Europa, onde, inclusive em alguns lugares o número de casos por dia já é maior que no começo da primeira onda.

Questionado sobre quais os problemas que esse aumento representa para a saúde, o médico afirma que: "o grande risco, que já começa a aparecer, é o aumento em curto espaço de tempo de casos mais graves necessitando de internação em hospitais e até UTIs que podem entrar em saturação. Felizmente agora esse risco é menor já que com a reestruturação no sistema de Saúde pelo Estado e pelo município além da curva de aprendizado dos profissionais de Saúde permite ações mais precisas e rápidas impactando em menor risco e mortalidade".

Outra questão avaliada pelo médico refere-se aos dados de que no momento o maior número de positivos para Covid-19 são pessoas que estão em uma fase de idade ativa (maiores de 20 anos e menores de 50). "Exatamente por serem os que estão mais expostos tanta nas atividades profissionais quanto nas atividades de lazer em grupos".


Crianças

Na questão das crianças o profissional infectologista explica que as crianças também são afetadas. "Felizmente a grande maioria sem gravidade. Claro que isso pode estar subdimensionado já que sem as atividades escolares ela ficaram bem menos expostas. No Brasil e no mundo, também, temos visto que crianças menores tem sintomas mais concentrados no sistema digestivo tendo mais episódios de vômitos e diarreia. Claro que também, com acometimento das vias aéreas como tosse principalmente, enfim sintomas que se enquadram na chamada síndrome gripal. O que tem sido observado na população pediátrica são sequelas com reações inflamatórias mais persistentes podendo levar a lesões de pele e mucosas (parte interna da boca por exemplo) crônicas numa porcentagem pequenas de casos porém muito maior que em adultos proporcionalmente".

Sobre os testes para crianças, Elias observa que: "mesmo para crianças pequenas há a indicação do teste de RT-PCR colhido das vias aéreas por ser o teste mais preciso no diagnóstico".


Vacinas

Na questão das vacinas que estão em testes para a Covid-19, o médico destaca que: "vacina sempre é um grande desafio e durante uma pandemia com tantas mortes, morbidades e impacto econômico como a atual esse desafio ficou monumental. Nesse sentido em várias partes do mundo a ciência vem com a maior agilidade possível buscando essa que poderá ser a estratégia mais eficaz na mitigação da Covid-19. O Brasil, com dois institutos seculares e renomados, está dentro dessa luta com duas vacinas bem adiantadas. A mais adiantada dela é a do Instituto Butantã junto com a empresa chinesa Sinovac que mostrou-se segura nos testes realizados em mais de 10 mil pessoas no Brasil (São Paulo) e iniciará a produção para uso em maior número de pessoas, só aí é que veremos a sua eficácia real".

Elias afirma ainda que: "como infectologista acho que temos que concentrar energia e recursos para as vacinas, não vejo caminho melhor já que tratamento específico e de fato eficaz contra esse vírus não temos. Também é pouco provável que teremos uma única vacina para todo o mundo, vamos depender de vários fornecedores e logísticas devido às grandes dificuldades para produção, armazenamento e distribuição de uma vacina, já que não é tão simples como a produção de um comprimidos, por exemplo. Para isso quanto mais integrado estiverem a população e os poderes ao redor do mundo, melhor será".



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