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'Pandemia' de pânico

Psicóloga orienta sobre o momento que a população está vivenciando

Clarice Graupe Daronco / JMV
Foto: Divulgação

TIMBÓ - "Nestes últimos dias nos vemos diante de "duas pandemias". Com essa frase a psicóloga, especialista em Psicologia Clínica e Psicologia Hospitalar, Elisiane G. L. Schroeder, fala sobre o momento que a população timboense e do país estão vivendo.

De acordo com a profissional, a primeira pandemia foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) gerada pela "Covid-19" e tem uma explicação racional pela alta propagação do vírus (novo Coronavírus) e todas as suas consequências na saúde da população.

Já a segunda "pandemia", observa a psicóloga, é a de pânico, uma vez que tem a mesma capacidade de espalhar- -se rapidamente e causar a "contaminação" de milhares de pessoas. "Esse pânico coletivo fez com que as pessoas corressem para as farmácias, fez com que as prateleiras dos supermercados fossem rapidamente esvaziadas, produziu uma enxurrada de informações e alterou nossa rotina drasticamente. A essa segunda "pandemia" se atribui alguns fatores, o principal deles: a globalização e seus efeitos, por exemplo, no acesso à informação".

Elisiane observa que nunca a população teve acesso a tantas informações, em tempo real, de cada canto do mundo, mas, ao mesmo tempo nunca esteve tão (des)informada, remetendo à sua etimologia em latim, informare, que significava "dar forma". "É justamente o excesso de informação que provoca esse efeito manada de propagação do pânico. Ou seja, aquilo que deveria nos auxiliar, "dar forma", reunindo os diversos conhecimentos e esclarecimentos, resulta no contrário e nos coloca em estado de ansiedade e furor".

A profissional comenta que: "nos últimos dias nos deparamos com a perturbação da ordem, uma inquietude coletiva, o aumento da ansiedade e da angústia diante da ameaça iminente. Essas condições nos deixam em estado de alerta e ao mesmo tempo de vulnerabilidade, como condição interna, que frente a uma ameaça gera algum dano. Não dormimos direito, nossas rotinas estão alteradas, estamos fechados em casa e literalmente nos vemos obrigados a parar. Mas a preocupação que se coloca é que efeitos essa "pandemia" de pânico vai ter sobre nós? Esse estado de pânico generalizado, além de gerar o aumento da ansiedade, limita nossa capacidade de racionalizar, deixando- -nos ainda mais vulneráveis".

Segundo a psicóloga essa "cultura do medo" produzida pelo excesso de informação, além de produzir o pânico coletivo, instaura o caos. "Entretanto, não se trata de negar a ameaça, ela existe, e o medo é natural. Devemos certamente estar alertas e cautelosos, seguindo as recomendações para a proteção da nossa saúde e dos demais, no entanto, o pânico nos expõe a outros riscos".

Para a profissional, a velocidade com que as coisas acontecem, a quebra da rotina e a obrigatoriedade do afastamento social poderão e possivelmente irão gerar efeitos psíquicos para além da pandemia. "É tempo de cuidar da nossa saúde mental, estamos diante de uma crise epidêmica, que vai passar, mas irá produzir inúmeros efeitos individuais e coletivos. Diante do que estamos vivendo precisamos exercitar nossa paciência e, sobretudo nossa serenidade, limitar o que precisamos saber para nos proteger, sustentar um equilíbrio possível, manter o convívio com as pessoas, mesmo que a distância. Sobretudo, necessitamos olhar para dentro e cuidar de nós, com cautela, mas, sem pânico".



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