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Pioneirismo no cultivo de lúpulo no Vale Europeu

Propriedade familiar de Benedito Novo vem realizando a produção desde 2019

Amanda Bittencourt/ JMV
Foto: ARQUIVO PESSOAL

BENEDITO NOVO - Todo apreciador de cerveja sabe que o lúpulo é um dos ingredientes conhecidos na produção da bebida, sendo o encarregado de trazer o amargor e o aroma. Mas você sabe como e onde é feito o cultivo do lúpulo? Pois bem, para explicar como funciona todo o processo, o JMV descobriu uma propriedade familiar no município de Benedito Novo, na localidade de Ribeirão São João, pioneira no cultivo da planta no Vale Europeu catarinense: o Lúpulo Vale Europeu.   

De acordo com o proprietário e representante comercial, Douglas Silveira Pinto, os trabalhos de cultivo tiveram início em maio de 2019, momento em que a propriedade foi adquirida. A escolha da região se deu pelo fato do clima ser mais próximo ao da serra catarinense, considerado o melhor local de adaptação da planta e com maior número de produtores já existente.

Mas a ideia começou a ser desenhada muito antes disso. Em 2016 quando Douglas foi desligado de uma empresa em que trabalhava havia sete anos, resolveu montar um beer truck (uma Kombi com sistema de chope) e começou a ter contato com várias cervejarias da região.

Douglas, que se denomina um apreciador de cerveja, passou a se apaixonar cada vez mais pela bebida. No fim de 2018, começou a pesquisar sobre o plantio de lúpulo no Brasil, uma vez que a implantação desse cultivo ainda é nova por aqui. No ano seguinte, ele visitou a região de Caxias do Sul / RS e descobriu uma propriedade que tinha algumas plantas na cidade de Nova Ramada do Sul, tendo a oportunidade de tirar suas dúvidas.

"Após isso entrei em contato com a Associação de Produtores de Lúpulo do Brasil, a Aprolúpulo e já me associei. Depois conversei com a família e iniciamos um projeto de pesquisa das necessidades e características que a planta precisava", conta Douglas que ainda relata que a motivação pelo cultivo também se deu em razão do número considerável de cervejarias existentes na nossa região.


Cultivo

O proprietário destacou que a família toda ajuda nos trabalhos, mas que conta com o apoio da empresa Hops Prime, que presta consultoria específica para esse tipo de cultivo. "O lúpulo não é uma planta nativa do Brasil, todo o trabalho da implantação da planta, desde a estrutura precisou ser ajustada".

Segundo Douglas, o lúpulo é uma planta perene, que vive vários anos e com ciclos. Agora, nesse período de Inverno, a planta é podada totalmente rente ao chão para que armazene energia nas raízes, e no início da Primavera comece seu estágio de crescimento. "Nesse momento do Inverno é fundamental o cuidado com o solo. É realizado o manejo com a implantação da adubação verde, que é feita com o plantio de culturas que servem para proteção do solo, sendo depois cortadas, virando adubo", explica.

Já na Primavera, a planta começa a fase de crescimento. "O lúpulo é uma planta trepadeira, então se faz necessário sua condução. A nossa estrutura, que chamamos de treliça, igual ao que existe fora do Brasil, com seis metros de altura, tem sua condução feita através de fios (barbante de algodão)", observa Douglas.

 No pico de crescimento da planta bem desenvolvida, com mais de três anos, ela chega a crescer 30 centímetros ao dia. Sendo seu período de colheita entre os meses de março e abril.

Hoje, o Lúpulo Vale Europeu está com aproximadamente 1.000 plantas, dentre essas as de maior escala são 600 da variedade Cascade, 120 de Centennial, 120 de Magnun e 120 de Brewers Gold. "Estou testando outras variedades também como a Comet, Chinook, Hallertal Mittelfrul e Saaz", completa Douglas sobre os tipos da planta cultivados.



Destino da produção 

Perguntamos ao proprietário para onde vai a produção e ele explica que nessa primeira colheita, que foi nesse ano, não foi realizada a comercialização. "Pois os índices de alfa ácidos e óleos essenciais são baixos. Fizemos somente uma pequena quantidade de cerveja caseira para estar utilizando os lúpulos como experiência, e tivemos a felicidade de conseguir uma cerveja muito boa, agradável e aromática", justifica.

Ele ainda salienta que no segundo ano de colheita a planta chega a 70% da qualidade necessária e no terceiro em diante, fase adulta da planta, começa a ter 100% de qualidade na produção.

Segundo o produtor, atualmente 99,9% do lúpulo utilizados nas cervejarias são importados, e todos eles são comercializados em formato de pellets. "Como o desenvolvimento do cultivo no Brasil é recente, poucas cervejarias têm interesse em utilizar o lúpulo em flor, fresco, pois depois de colhido, ele precisa ser utilizado em no máximo 24 horas. Os equipamentos das cervejarias brasileiras não são desenvolvidos para utilizar dessa forma", explica.

Com isso os produtores precisaram fazer a parte de beneficiamento, que é a secagem do lúpulo. "Demanda muito cuidado para não perder as propriedades da flor. Hoje se tem uma grande dificuldade de conseguir equipamentos para fazer o processo de pelletização, mas já existem algumas empresas que desenvolveram alguns equipamentos, porém o custo ainda é elevado. Para isso a associação de produtores reúne forças para conseguir ajudar nessa dificuldade no ciclo do lúpulo brasileiro", completa.


Planos futuros 

Sobre uma possível criação de uma marca de cerveja própria, Douglas disse que o objetivo inicial tem sido a venda do lúpulo. "Mas projetos futuros estão em desenvolvimento para elaboração de parcerias e com o lançamento de cervejas com o lúpulo produzido aqui".

Douglas ainda menciona que o lúpulo tem vários benefícios, entre eles está a melhora do sono, dos distúrbios de humor, ação anti-inflamatória, efeito estrogênico, compostos bioativos entre outros e por isso vem buscando outros locais para aplicação do lúpulo produzido.

O proprietário também destacou que além de estar produzindo o lúpulo, está desenvolvendo um projeto para incluir a visitação na plantação como um atrativo turístico regional. "Estamos fazendo adequações na propriedade e nesse período conversando com a Secretaria de Turismo do município e outras entidades, para conseguir estar elaborando e incluindo essas visitas em roteiros turísticos", finaliza.


Imagens


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