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Covid-19: aumento de casos preocupa

Médico infectologista explica que de cada 100 pessoas com o vírus 5% precisam ser internadas, podendo ter sintomas graves da doença

Clarice Graupe Daronco / JMV
Foto: Divulgação
Profissional alerta sobre os cuidados que precisa ter para evitar a transmissão do vírus

TIMBÓ - Os números do novo Coronavírus seguem aumentando em Santa Catarina, de acordo com o boletim divulgado pelo Governo do Estado no dia 28 de julho, 73.771 mil casos confirmados, sendo que na data de 27 de julho, eram 70.138 mil. Foram acrescentados ao boletim 3.633 novos casos em 24 horas. No número de óbitos no dia 28, o Estado divulgou 960 mortes e no dia 27, eram 924. Já o total de recuperados no dia 28, eram de 62.191 mil. A taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na rede pública é de 80,1%. Dos 1.373 leitos de UTI na rede pública em Santa Catarina, 1,1 mil estão ocupados, sendo 492 por pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19.

Em entrevista o médico infectologista, José Amaral Elias, fala sobre a gravidade da Covid-19. "Analisando que toda a doença tem sua história natural o que podemos dizer especificamente da Covid-19 é que de cada 100 pessoas, com o vírus, cerca de 80% a 85% terão um quadro leve ou no máximo moderado sendo que com apenas isolamento, repouso terão recuperação plena. Já dos outros 15 a 20% - terão um quadro mais intenso que requerer uma atenção maior, até com hospitalização e aproximadamente 5% destes terão sintomas graves a severos podendo vir a óbito. Nessa faixa de acometidos estão concentrados aqueles considerados grupo de risco com idosos (acima de 60 anos), obesos ou portadores de doenças crônicas como hipertensão, diabetes, entre outras".


Necessidade de UTI

De acordo com o profissional o problema está nestes 5% necessitando de internação e tratamento em curto espaço de tempo. E como a capacidade de disseminação é alta na população, quando o número de casos aumenta rápido o número esses pacientes em estado grave também aumentam muito rápido. "Com relação aos 5% dos casos que serão considerados graves, todos eles precisarão ficar internados em UTI e dependentes de aparelhos de respiradores e vários medicamentos potentes para equilibrar as funções dos pulmões, sendo que o tempo de internação médio é 14 dias e podendo chegar até a mais de 40 dias e comprometendo o pulmão de forma muito ampla e intensa. É nestes 5% que está a maior preocupação do setor da Saúde podendo levar todo o sistema à saturação total. Por exemplo: se 500 pessoas foram infectadas cerca de 25 pessoas irão precisar de leito de UTI num curto espaço de tempo e esses irão permanecer por longo tempo internados e ao mesmo tempo mais casos graves vão acontecendo. Além do mais outras doenças que necessitam de UTI como infarto, traumas, pneumonias (que aumentam muito nessa época do ano) e etc. vão continuar acontecendo".

O médico afirma que é importante observar que leito de UTI requer profissionais especializados em tempo integral, o que é raro de maneira geral e o que torna isso mais crítico é que o número desses profissionais pela exposição intensa que a atividade requer são contaminados pelo Coronavírus necessitando de afastamento de vários dias e ás vezes de vários profissionais ao mesmo tempo o que compromete muito a assistência.

Questionado sobre as pessoas que precisam ser internadas na UTI, por que e qual o tratamento, o médico explica que até o momento não há nenhum tratamento específico com ação direta sobre o vírus e que seja totalmente eficaz. O recurso que temos é dar o aporte necessário para compensar a disfunção respiratória. O temos até agora de concreto e mostrado em trabalhos científicos é a ação de medicamentos que diminuem o processo inflamatório que são os corticoides ajudando a reduzir o período de gravidade. Outro detalhe importante é que não são só os pulmões que são afetados, muitos pacientes acabam evoluindo para insuficiência dos rins e vários apresentam distúrbio no funcionamento cardíaco.

Muitas pessoas têm dúvidas se pessoas sem sintomas podem transmitir o Coronavírus. De acordo com o médico, esse é o grande fator da doença se espalhar. Assintomáticos tem poder de transmissão menor, mas transmitem.



Proteção

Com relação ao uso obrigatório de máscaras, muitos questionam se máscara serve para proteger só para quem usa ou para os outros também. Elias explica que a máscara serve de proteção para, quem usa e quem está ao lado, se usada adequadamente, juntamente com a higienização correta das mãos e o distanciamento social. "Hoje, a única coisa que resolve a diminuição no aumento do número de casos é o distanciamento social, até termos uma vacina".

Outro questionamento, feito ao médico, refere-se ao significado de caso suspeito de Covid-19, oportunidade em que o profissional explica que: "suspeito é aquela pessoa que tem quadro de infecção de vias respiratórias, geralmente febril, como uma gripe ou resfriado e também há outros sintomas mais atípicos como perda de olfato, paladar e até diarreia leve. Alerta que do quinto ao sétimo dia pode evoluir para às vezes até leve o que, nesse caso, é sinal de alerta de gravidade e nessa situação sempre procurar por avaliação médica. O ideal é confirmar o diagnóstico realizando o exame de três a sete dias do aparecimento dos primeiros sintomas. O exame mais preciso é o chamado PCR que está sendo feito pelo Serviço Público junto à nova Unidade para atendimento ao Covid-19, na rua Sete de Setembro. Também é preciso informar ao contactante, que é a pessoa que teve contato próximo de um caso de Covid em investigação e assim todos precisam ficar afastados e fazer a chamada quarentena que são 14 dias".

Para finalizar o médico afirma que ainda não existe um tratamento antiviral eficaz em qualquer fase da doença. "Importante que assim como a Covid-19, para qualquer doença é preciso fazer um tratamento individualizado. Cada caso é um caso. Cada paciente precisa ser acompanhado, pois, a automedicação é muito perigosa e podendo trazer grandes riscos a saúde. Não faz sentido a distribuição indiscriminada de medicamentos sem eficácia comprovada e sem considerar a característica de cada um como idade, possibilidade de gestação, interação com outros medicamentos, risco de alergias etc.

O médico afirma ainda que é importante observar que o número de casos está subindo rapidamente e não só porque estão sendo realizados mais testes, mas porque há mais pessoas contaminadas e o vírus está circulando em maior volume. "Os casos estão aumentando e o único recurso que temos para esse controle é o distanciamento social. Esse momento, tanto o Estado quanto os municípios precisam ter medidas mais rígidas para impor maior distanciamento social".



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