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Depressão: atenção para com as crianças

Profissionais explicam que é possível que crianças e adolescentes desenvolvam transtorno depressivo

Clarice Graupe Daronco / JMV
Foto: Divulgação

TIMBÓ - "Durante muitos anos houve intenso debate acerca da existência ou não de depressão na infância". Com essa frase as profissionais em psicologia, Katy Bremer e Francielle Hartmann falam sobre um tema muito importante e que afeta muitas crianças e suas famílias.

Segundo as profissionais, estudiosos acreditam que é possível que crianças e adolescentes desenvolvam transtorno depressivo, pois há significativas comprovações para validar a presença de sintomas. "Os estudos sobre a depressão em crianças tardou a ser realizado. Precisamente 1975 foi o ano que é considerado como a data crucial e se desenvolveram diversos trabalhos relevantes desde então".

Katy afirma que crianças também se sentem tristes por suas perdas e como ainda não conseguem identificar e expressar seus sentimentos, os demonstram através dos comportamentos. "Esse estado depressivo causa muitos danos familiares, psicossociais, de adaptação e de saúde".

De acordo com Francielle, estudos realizados com crianças e adolescentes hospitalizados encontraram índices muito superiores aos da população em geral: 20% das crianças e 40% dos adolescentes apresentam depressão. "Na população geral, a depressão infantil em criança em idade pré-escolar apresenta índice em torno de 2%. Em idade escolar, esses percentuais sobem para 5%, sendo mais comum no sexo masculino. As faixas etárias entre seis e onze anos de idade apresentam maiores problemas depressivos atualmente".


o que é e quais as possíveis causas?

 "Sabemos que a depressão origina-se em uma disfunção da regulação emocional. A cada ano aumenta a quantidade de pessoas que desenvolvem esse grave transtorno de humor. O ponto primordial de atenção da saúde mental é "na intensidade e duração da tristeza causada por diversos motivos" tanto em adultos como nas crianças", observam as profissionais ao explicar que a depressão conhecida também como Transtorno Depressivo Maior (TDM) é caracterizada por sinais que interferem na habilidade para trabalhar, estudar, comer, dormir e apreciar atividades antes agradáveis. Resumindo, é uma perda de interesse, de energia e diminuição de atividade prazerosas e de bem-estar na vida da pessoa.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 4,4% da população mundial sofre de depressão. As dificuldades da identificação da depressão são devido a sua natureza multicausal: problemas familiares, genética, antecedentes pessoais, condições de saúde e da vida social. 


Sintomas

Katy observa que no caso das crianças, ela é evolutiva (em evolução) tendo diversas nuances devido ao período de desenvolvimento no qual se encontra. "Como identificar a depressão na infância? A depressão tem muito a ver com a tristeza que persiste além de um determinado tempo considerado necessário devido a um luto, de adequação a alguma situação, ou da morte de alguém próximo. É necessário observar que há diferenças na manifestação sintomatológica que variam conforme a idade. Em crianças menores, por exemplo, os sintomas somáticos estão mais presentes assim como a irritabilidade. Nas crianças maiores, observa-se o choro, culpa, isolamento e pensamento suicida".

As profissionais relatam que a criança demonstra essa tristeza através do medo, raiva, birra e mudanças comportamentais na sua rotina, na comunicação, nos desempenhos habituais e, acompanhados de diferentes formas de protesto são sinais típicos desse transtorno e a baixa autoestima, diminuição da socialização. "Os sintomas como alterações do apetite e do sono, diminuição da atividade física, medo excessivo. É preciso estar atento quando ela começa a ficar quieta, parada, com muito medo de separar-se das pessoas que lhe servem de referência, como o pai, a mãe ou o cuidador. Observar quando a criança começa a reclamar de ir para escolar, como também a reclamar o tempo todo de dores, nunca demonstrando que está bem. Na escola apresentam várias dificuldades de aprendizado e, num primeiro momento, são encaminhadas para a avaliação do oftalmologista, do otorrino, da fonoaudióloga".

Francielle destaca que outro ponto importante a ser observado é a qualidade de sono que muda muito nos quadros depressivos. "Vale ressaltar que estes sintomas devem estar presentes há pelo menos um mês na criança. Vale ressaltar o cuidado no diagnóstico, pois alguns desses sintomas podem estar relacionados à ansiedade de separação".


Tratamento

Na questão do tratamento as profissionais recomendam que se busque um diagnóstico e acompanhamento formal de médico e psicólogo. "O médico ao evidenciar o quadro depressivo e dependendo da gravidade utiliza-se dos psicofármacos específicos, segundo sua faixa etária. É muito comum a criança desenvolver outros transtornos, junto com a depressão, como o de ansiedade, de conduta, desafiador e opositor, de déficit de atenção".

A psicologia, observa Katy, se utiliza de metodologia apropriada e de orientação aos pais. "O trabalho do psicólogo nos casos de depressão infantil será principalmente de monitorar os pensamentos, sentimentos e comportamentos da criança. Criará um programa de atividades prazerosas, treinamento de habilidades sociais e assertividade, treinamento de resolução de problemas, modelação e treinamento de pais. Esse último, visando maior adesão e aumento de eficácia do tratamento, é necessário o tratamento para os pais e a família como um todo. No tratamento de pais, haverá execução e participação deles nas tarefas de terapia como os monitoramentos e experimentos extra-sessão; reforços contínuos, progressivos e efetivos ao longo do tratamento. Reestruturação do nível de exigência e cobrança dos pais".


Papel fundamental da família 

- Precisam atender as necessidades  fisiológicas básicas da criança sem que  ela precise expressar as emoções  negativas. A sintonia da comunicação entre pais e filhos mais atentos. 

- Socializar as crianças e ensiná-las a expressar as emoções apropriadas  

- Desenvolver vínculo seguro dos pais e cuidadores com a criança  

- Desenvolver a autoconsciência da criança, para reconhecer suas potencialidades 

- Estar presente na elaboração do luto e da perda, com paciência e compreensão desse momento. 






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