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Novas variantes da Covid-19

Clarice Graupe Daronco
Foto: iStock

"Uma regra no comportamento da reprodução viral, principalmente vírus como o da Covid-19 que é do tipo que tem RNA, é a ocorrência de alterações na sua genética e consequentemente formar novas variantes". As informações são do médico infectologista, doutor José Amaral Elias.



Elias afirma que: "como o vírus, e isso vale para todos os vírus, não consegue se reproduzir sozinho ele necessita entrar em uma célula e usar o nosso DNA para fabricar novos vírus. Porém nessa transformação do nosso DNA para o RNA do vírus ocorrem várias alterações e erros que permitem o surgimento de variedades genéticas diferentes".

O profissional relata que: "então quanto mais o vírus estiver se multiplicando mais variações, ou variantes, irão ocorrer. E essa situação atual no Brasil com a taxa de transmissão alta, sem estratégias homogêneas e rígidas na circulação de pessoas, permitiu não só a formação de uma variante mais agressiva e com muito mais facilidade de transmissão, como outras variantes poderão surgir e não só mudar o ritmo da pandemia como a fazer caminhar em ondas por tempo indeterminado por maiores chances de reinfecções e diminuição e até ineficácia das vacinas atuais".

O médico observa que: "esse foi o mecanismo que levou a essa onda que estamos vivendo com a variante chamada de P1 que foi primeiramente detectada no final do ano passado em Manaus. Essa variante levou ao caos o estado do Amazonas e se espalhou rapidamente por todo o país e, juntamente com o início da vacinação, mesmo que lentamente, nos mais idosos, mudou completa e tragicamente os números e o perfil dos afetados na pandemia".


Pessoas mais jovens

De acordo com Elias: "além de passarmos do assustador número de mais de 4.000 mortos diários a média de idade nos afetados diminui de forma considerável e, pela primeira vez desde o início da pandemia, pessoas com menos de 40 anos já são a maioria entre os internados nas UTIs".

O profissional afirma que: "junto disso a gravidade também aumentou com o índice de necessidade no uso de respiradores que cresceu consideravelmente, exigindo assim maior tempo de internação, resultando em um maior número de complicações".

O especialista explica ainda que: "olhando a pirâmide de idade na população brasileira, que é bem diferente da europeia, por exemplo, constatamos que há muito mais pessoas com menos de 40 anos na população o que torna essa realidade atual muito mais preocupante e dramática. Juntando-se a isso a lentidão na aplicação das vacinas e as possibilidades de novas cepas surgidas nesse cenário propício de multiplicação viral, o que já está acontecendo com uma cepa muito parecida com a cepa sul-africana detectada na cidade de Sorocaba, em São Paulo".


Ações importantes

Para o médico "todo esse panorama mostra a grande necessidade do Brasil mudar muito suas condutas na luta contra essa pandemia. Isso requer também a conscientização e envolvimento de toda a sociedade respeitando ao máximo o distanciamento social, principalmente com a população mais jovens evitando aglomerações desnecessárias, além é claro de manter o uso de máscaras de forma correta e a higienização das mãos"

Para Elias "o poder público em todos os seus níveis, de forma racional e de acordo com a gravidade de cada região deve tomar condutas mais rígidas na circulação de pessoas e agilizar maior número e opções de vacinas, além de dar condições de sustento à famílias com distribuição de auxílio financeiro".

Uma observação importante, destaca o especialista: "no quesito das vacinas, é que muitas pessoas que já receberam a primeira dose não estão retornando para receber a segunda dose. Isso está deixando muitos não completamente imunizados, e o que é pior, com a falsa sensação de segurança por achar que estão protegidos. É importante deixar claro que as vacinas em uso no Brasil só conferem proteção, que já não é absoluta, mas aos casos graves principalmente, a quem tomou no período certo de cada uma delas as duas doses".




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